Sábado, 3 de Março de 2012

Remi Ochlik, 1983-2012

"I expected to see horrible things. Yes, I was afraid."


Lembro-me, de estar doente em La Paz, Bolívia e passar horas no quarto que tinha as portadas de ripas de madeira, a ver a CNN e o cenário intolerável na Líbia e na Síria, estávamos em Junho de 2011. Aqui há uns dias soube da morte da jornalista americana Marie Colvin e do fotojornalista francês Remi Ochlik, quando a "safe house" para jornalistas em que se encontravam foi bombardeada. Já se passou mais de um ano desde que em Março de 2011 a contestação pacífica por parte dos civis sírios, virou um atentado diário aos direitos humanos. Quando era pequena, e via religiosamente o Jornal da 2, quando este ainda era bom e me levava a conhecer o Mundo, ainda que este fosse muitas vezes feio e repleto de atrocidades, pensava que gostava de trabalhar para a Cruz Vermelha, ou para as Nações Unidas, ou ser jornalista de guerra. Não segui de todo qualquer uma dessas vias, mas nunca deixei de me preocupar, de me interessar e de me indignar. Hoje, sabendo que pouco posso fazer para alterar o curso de uma História que o Homem teima em escrever desta maneira, deixo o registo de Remi. Para que nunca nos esqueçamos do que se passa lá longe, para que nunca viremos a cara "para fingirmos que não existe". Este é o Mundo em que vivemos. Sejamos a voz daqueles que não podem falar por eles.