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quarta-feira, 17 de julho de 2013

O mundo acontece lá fora enquanto eu me sinto prisioneira na própria casa. Ouço os aviões que chegam ansiosos pelo chão que os espera, oiço os autocarros na sua rotina diária, para a frente e para trás, para a frente e para trás. De vez em quando uma voz mais alta ecoa na rua, e de vez em quando, os barulhos dão tréguas e consigo ouvir um pássaro, ou dois. E os aviões chegam, e os autocarros passam e os pássaros cantam. E eu continuo presa. Literalmente. Presa à espera de ser rendida para poder ir e fingir aquela vida que já tive, ou que mais ou menos tive. Espontaneidade. Sempre a prezei ao máximo e sempre soube que era o que mais me custaria perder. E estava certa. E aqui permaneço, sentada no sofá, com o computador no colo, procurando a companhia das palavras, enquanto o mundo acontece lá fora.
Desde há quase um ano, que uma das grandes mudanças nas vivências diárias se deu com a abolição do despertador. Nunca mais usei. O dito, foi substituído por dois equivalentes, um pequeno guincho matinal como que a avisar-me que o dia já começou e que (eu, parva) estou a desperdiçá-lo e o meu alarme interior, privado, só meu. Acontece que por vezes o puto se esquece que quer ir ver o sol e prefere o colchão e eu, bem, culpa dos earplugs que não largo por nada, avariei o alarme interno. Conclusão, late, very late.

sábado, 13 de julho de 2013

Primeiro pensar em delete. Depois, pensar em começar de novo e deixar para trás toda uma bagagem que já pesa. Por fim, decidir que quanto muito se recomeça, porque já se tem saudades das palavras e porque não se muda o que já se viveu. Nem tão pouco se esquece. Quanto muito esconde-se. Tenho tantas saudades de sentir o teclar. De escrever para mim e para este narcisismo que se alimenta da esperança que haja quem recebe desse lado o que se escreve deste. Que seja. Mas que venham as mudanças, porque é delas que também eu preciso.

ps: e de repente, consegui albergar toda a história até aqui contada na memória dos rascunhos. há todo um sentimento de liberdade. priceless!