Há 1h11m de há 1 ano atrás, nasceste-me. Cheio de cabelo, senti-te pela primeira vez como gente quando te puseram no meu peito. Apertei-te com medo de te deixar cair e chorei. Chorei muito, descontroladamente. E depois enchi-me de medo. Eras tão pequenino mas parecias-me tão grande, com o teu choro a encher aquele quarto branco, daquele corredor, daquela maternidade. E eu, toldada pelo efeito paradoxal de tanta droga que me foi injectada estava incapaz de reagir, mas logo aí me ensinaste, a partir desse momento percebi que tinha que arranjar forma de te cuidar, porque o amor já lá estava, principalmente quando olhava para os teus pés cujos dedos desenhavam uma escada perfeita.
Há um ano que todas as manhãs, sem excepção, tudo fica em harmonia, nem que seja apenas por momentos. A genética tem destas coisas e quis que não partilhasses o meu gene da má disposição matinal. Tu não, recebes-me sempre com uma alegria como se fosse a primeira vez desde há muito tempo. Primeiro um sorriso que se formava só de gengivas, mas agora como que a confirmares que estás a crescer, com uns dentes tortos, mas de um branco celestial.
Digo-te isto, não porque seja importante que o saibas - também é - mas porque tenho que o pôr cá fora. É tão grande o que me liga a ti que não me cabe no peito, é o olhar-te e ver o meu coração a passear-se contigo, em ti. Porque te amo tanto, porque não sei viver sem ti, porque é em ti que eu reponho as reservas mesmo nos piores dias, naqueles em que acho - injustamente - que a vida é uma merda. E uma coisa te digo com o peito cheio e cheia de certeza: não é. Precisamente desde há um ano atrás que ganhou uma beleza que ainda hoje não consigo descrever. E a ti o devo. Obrigada, meu filho e parabéns!
sexta-feira, 26 de julho de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Hoje de manhã quando acordei e espreitei pela janela do quarto dos meus pais o mar e o nublado que escondia uma Ericeira a despertar, pensei que seria feliz a viver fora de Lisboa. Incomodam-me cada vez mais os barulhos, as pessoas, a agitação e estar uns dias afastada faz-me pensar diferente, sentir-me diferente e estar diferente. Sento-me no degrau já de banho tomado e corpo aliviado por um creme que acalma o que o sol provocou, olho para o sol que se deita no mar e sinto-me abençoada. Esqueço-me que tenho sempre uma to do list em mente e permito-me relaxar. Finjo que sou como os summer lions que figuram nas páginas da Vanity Fair, que passavam a vida pelos Hamptons dividida em momentos de reclusão em que o trabalho consistia na produção de palavras dignas de Pulitzer, e jantares e piqueniques com amigos. Ontem ao final da tarde, perguntava à minha mãe que faria ela se tivesse que ter vivido na e pela arte. Riu-se e não me soube responder. Mas eu soube, sempre soube e sobre isso poucas dúvidas me restam. Vivo bem nas e pelas palavras. Sinto-me em casa rodeada de livros mesmo que me faltem as melodias e as imagens captadas para perdurarem pelo tempo. E se eu gosto de melodias e imagens intemporais... Mas gosto mais de palavras, e de frases e de textos. E gostava de não ter que regressar a Lisboa, mas ficar, sem pressa pelo que virá.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Quando soube que o meu bébé era um rapaz tive que rever mentalmente as expectativas que tinha. Talvez por não ter irmãos, sempre me vi mãe apenas de um filho e esse filho sempre foi uma filha. Pois, mas já não havia nada a fazer quanto à mudança de cromossoma. Fui tramada por uma letra. Agora que sou mãe de um filho rapaz constato que foi o melhor que me aconteceu. Não só porque tive uma sorte tremenda com a pequena criatura que partilha agora da mesma morada que eu, mas porque, que iria eu fazer com um filho filha? À medida que o Francisco vai crescendo a companhia aumenta. E como aumenta. E na verdade divirto-me mais com os gestos brutos próprios de quem ainda não sabe bem o que fazer com a força exercida pelas mãos, braços e pernas, do que com os vestidos com os quais não o posso vestir. Porque na verdade, sempre fui de legos e playmobile e não de barbies. Já me chegam as barbies desta vida, e se há coisa que tenho aprendido é a ser pragmática num mundo em que uma garrafa de plástico vazia é das coisas mais interessantes que há, e que migalhas espalhadas por aí não me vão provocar um enfarte. E depois ele cospe a bolacha e ri-se e eu, que posso eu fazer? Rio-me também. Morning everyone!
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O mundo acontece lá fora enquanto eu me sinto prisioneira na própria casa. Ouço os aviões que chegam ansiosos pelo chão que os espera, oiço os autocarros na sua rotina diária, para a frente e para trás, para a frente e para trás. De vez em quando uma voz mais alta ecoa na rua, e de vez em quando, os barulhos dão tréguas e consigo ouvir um pássaro, ou dois. E os aviões chegam, e os autocarros passam e os pássaros cantam. E eu continuo presa. Literalmente. Presa à espera de ser rendida para poder ir e fingir aquela vida que já tive, ou que mais ou menos tive. Espontaneidade. Sempre a prezei ao máximo e sempre soube que era o que mais me custaria perder. E estava certa. E aqui permaneço, sentada no sofá, com o computador no colo, procurando a companhia das palavras, enquanto o mundo acontece lá fora.
Desde há quase um ano, que uma das grandes mudanças nas vivências diárias se deu com a abolição do despertador. Nunca mais usei. O dito, foi substituído por dois equivalentes, um pequeno guincho matinal como que a avisar-me que o dia já começou e que (eu, parva) estou a desperdiçá-lo e o meu alarme interior, privado, só meu. Acontece que por vezes o puto se esquece que quer ir ver o sol e prefere o colchão e eu, bem, culpa dos earplugs que não largo por nada, avariei o alarme interno. Conclusão, late, very late.
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