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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Na breve viagem de taxi que me leva até ao largo que mais gente junta alberga, sou acompanhada por aquela melodia que fala de amor com pronúncia do norte. Às vezes é mesmo só um "problema de expressão". E desse mal sofro vezes demasiadas.

domingo, 18 de agosto de 2013

Há uma coisa que tenho aprendido nestas mini-férias: não confiar na meteo do Iphone. Sou uma pessoa acostumada a gerir a vida de acordo com as previsões meteorológicas. Pois faço mal, e acontece que agora estou aqui no meio de uma neblina matinal como que a anunciar a chegada d'O Desejado, em que o mar adquiriu o cinza como seu disfarce, e um casaco de malha me faz companhia sobre os ombros. O sol resolveu visitar outras paragens, mas deve ter pedido a um vento fraquinho que ficasse de vigia na sua ausência. Vale-me a caneca que contém um cappuccino fumegante e o livro de capa amarela que veio trazer-me um pouco de cor e quebrar a monotonia deste dia monocromático.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Na passagem dos dias programo as férias. Já estive longe, mas rendi-me à proximidade geográfica que me fará rumar a sul, onde a sonoridade de Camões será uma constante. Já só peço algum sol que me aqueça a alma e sal que me faça companhia. Enquanto se faz a contagem dos dias que faltam, partilho um projecto que descobri e cujo desfecho é partilhado a 22 de Agosto.
Introducing "40 days of dating".

sábado, 3 de agosto de 2013

Da janela regista-se pouca vida. Agosto é a altura das migrações, com a maior parte a rumar a sul. Está um sol suficiente para me aquecer o corpo e a alma, mas eu refugio-me em casa com uma maldita indisposição que me obriga à companhia de uma água chalada cheia de açúcar. Tenho os rapazes fora, e uma profunda injustiça apodera-se de mim como que a dizer-me que tenho obrigação de fazer algo mais com o meu tempo. Esta merda de exigências que eu própria me encarrego de criar... Ouço música, viro páginas de livros, vejo o Fiel Jardineiro, outra vez, e dói-me a alma pensar naquela realidade e por momentos esqueço-me da minha (insignificante) indisposição.

domingo, 28 de julho de 2013

Estou absolutamente viciada na série sueca/dinamarquesa Bron/Broen. Costumo dizer que nem pareço pessoa do sul, do Mediterrâneo, das oliveiras, do calor e do sol. Costumo dizer que noutras vidas terei andado por uma geografia diferente. Tenho uma séria fixação pela Escandinávia, apesar de honestamente me saber incapaz de lidar com o frio que nos gela todos os pêlos que nos revestem a pele, e apesar de cinzento ser a minha cor preferida, faltar-me-ia o amarelo do sol e o azul do mar. Mas gosto daquela organização quase ditatorial - culpa dos meus traços obsessivos - e vivia encantada numa casa com grandes janelas e o chão de madeira pintado de branco. Isto para dizer que na minha nova série preferida, uma vez mais confirmo a importância da temporalidade que nos aproxima das personagens e nos faz sentir que podíamos ser uma delas. Sabem quando vemos uma cena em que alguém faz uns ovos mexidos no mesmo tempo e com a mesma preparação que nós? É isso que me alimenta - não literalmente, entenda-se - quando vejo essas imagens carregadas de uma ficção real. Bron é cinzento, as personagens são cinzentas e estranhas. E eu gosto, muito.