O Mr. X sempre foi uma daquelas personagens que, de tempos a tempos, vamos encontrando. A primeira vez que o vislumbrei foi há cerca de oito anos. Na altura, estava sentada ao pé da Botica. Assim que o vi, fiquei presa aos seus movimentos. Não que fosse particularmente bonito. Não era. Mas porque emanava uma confiança como eu ainda não tinha visto. Voltei a vê-lo. Sempre na noite. Mudava apenas o cenário, mas não a adaptabilidade ao mesmo. Com ele tudo parecia fácil e natural. Nunca falámos. Ainda que nos avistássemos mutuamente. Inibia-me, e eu deixava-me estar. Quando me olhava, era incapaz de manter o contacto. Depois arrependia-me, mas nunca fui a tempo. Nas noites em que nos encontrávamos, ficava a imaginar quem seria aquela pessoa que me fascinava daquela maneira. Não lhe sabia nada. Nem o nome. Nem a idade. Nem o estado civil. Não tínhamos, que eu soubesse, amigos ou conhecidos comuns. Aliás, a única coisa que partilhávamos era o gosto pelos mesmos ambientes. Não me lembro de ter comentado com alguém sobre este estranho que já me era familiar. Até que deixei de o encontrar e o esqueci.
Ontem, enquanto estava sentada, vi-o. Mr. X.
himself. Físicamente pouco mudado. Mas em mais nada se parecia o mesmo. Ainda que a fisionomia não me atraiçoasse a memória, as dúvidas tendiam a permanecer. Mas não, era de facto ele.
Mr. X. but without the x factor. Observei-lhe os movimentos. Sem graça, e sem a naturalidade que lhe conhecia. Ele olhou-me, uma e outra vez. Eu voltei a desviar o olhar. Mas pela primeira vez, não me arrependi. E voltei à minha vida.